Cenpreorto e Reviver Down: 10 anos de parceria e alegria

Em 2019, o Cenpreorto está completando 10 anos de parceria com a Associação Reviver Down, para o atendimento gratuito de crianças na clínica. E uma década de convivência com esses pacientes mostrou que a decisão de abraçar o projeto foi muito mais gratificante do que a proposta inicial. 

Lá no ínicio, no ano de 2009, a Dra Maria Inês Prado Lopes queria fazer algum trabalho voluntário para dar um sentido diferente a toda a experiência de anos como odontopediatra. “Me sentia feliz de doar um pouco do que sabia, atendendo pessoas que não podiam pagar pelos tratamentos. Queria me sentir útil de alguma forma para a sociedade“, lembra. 

Aprendizado: busca por informações foi o início

O projeto começou dentro do ambulatório de Síndrome de Dow do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná. Sem o conhecimento sobre as peculiaridades do atendimento odontológico e ortodôntico para crianças com a síndrome, ela e o Dr. Rosalvo Amaral Jr. foram até o ambulatório buscar informação.

O projeto começou em função da nossa busca por aprender mais sobre como trabalhar com crianças com Síndrome de Down. Eu já trabalhava há muitos anos com crianças, mas, quando chegou a primeira paciente com síndrome de Down, eu pensei: – como vamos fazer para trabalhar com essa criança, que é um pouco diferente das outras? Fui buscar informações para poder prestar um serviço da melhor qualidade“, conta.

Continuidade: parceria viabilizou nova etapa do atendimento

Mas as visitas ao ambulatório renderam mais do que conhecimento novo para o atendimento particular a pacientes da clínica. A constatação de que havia uma limitação no trabalho desenvolvido pelo HC mostrou uma demanda. “O atendimento no ambulatório é voltado a bebês e crianças de até 2 anos. Os profissionais não têm estrutura e formação em especialidades como a Ortodontia e Ortopedia Funcional dos Maxilares. Essas especialidades permitem procedimentos relacionados ao crescimento facial da criança por um período maior“, explica. 

A constatação de que a continuidade do atendimento aos pacientes do ambulatório poderia ser feita no Cenpreorto foi o pontapé inicial para o projeto. Desde então, um dia é dedicado ao atendimento de crianças com síndrome de Down que têm mais de 3 anos de idade. “Não são muitos. Atendo cerca de oito pacientes por mês. Mas é muito gratificante perceber que é possível dar a elas um sorriso esteticamente melhor e melhorar questões como a mastigação e a fala“, diz. 

Uma década de alegria no Cenpreorto

Em 10 anos de atendimentos, a equipe do Cenpreorto viu várias dessas crianças crescerem. E a importância do respeito à diferença ficou cada vez mais clara. “Não é correto ignorar as diferenças. O amadurecimento intelectual dessas crianças pode ser tardio e a comunicação muitas vezes é prejudicada. Há particularidades com relação ao desenvolvimento facial, da questão óssea, musculatura, postural. Isso precisa ser considerado“, afirma. 

O aprendizado foi rico em uma década, especialmente pelo presente que a convivência com os pacientes trouxe para a equipe do Cenpreorto: a consciência de como é importante tratar as crianças com síndrome de Down com atenção diferenciada. E valorizar a maneira como retribuem todo o esforço. “Às vezes, o atendimento é difícil. Mas sempre que a consulta termina, é abraço, beijos, carinho. Eles são lindos e me emocionam todas as vezes“, conclui. 

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