Erosão dentária: bebidas ácidas são novas "vilãs" da saúde bucal

Erosão dentária: bebidas ácidas são novas vilãs da saúde bucal

Você já ouviu falar de erosão dentária? Esse problema, que é cada vez mais comum, pode ser causado por alimentos e bebidas ácidas, ou seja, com o pH baixo. O alto consumo de alimentos processados e bebidas industrializadas faz disparar a incidência de erosão dentária provocada ou potencializada pela acidez.

Na lista de bebidas ácidas estão campeões de consumo como refrigerantes e sucos prontos. Mas também há itens da relação menos óbvios, como os isotônicos, energéticos e até mesmo o vinho. Para completar, os sucos a base de soja, considerados por muitos uma alternativa mais saudável entre os itens processados, também contribuem para a erosão dentária.

Açúcar e cárie X bebidas ácidas e erosão: entenda as diferenças

O açúcar é um vilão dos dentes e está entre os principais fatores que contribuem para a formação da cárie. Quem viveu a infância nas décadas de 80 e 90 sabe bem: a principal preocupação dos pais e dentistas, quando o assunto era saúde bucal, era o consumo de doces.

Com a mudança de postura dos profissionais da Odontologia, que passaram a dar mais ênfase à prevenção, o índice de cáries sofreu uma redução significativa. Melhores hábitos de higiene bucal, o uso do flúor e moderação no consumo do açúcar foram os responsáveis por essa mudança. Itens como balas, caramelos, achocolatados e alimentos com excesso de açúcar perderam popularidade nas últimas décadas (também pela questão do sobrepeso).

Mas, infelizmente, o consumo de refrigerantes e bebidas industrializadas só aumentou. E os excessos, como sempre, cobram o preço. Acostumados a associar problemas bucais com o açúcar, muitos simplesmente trocaram as versões adoçadas pelas sem açúcar. Bom para evitar as cáries. Mas não para prevenir a erosão dentária.

Para esclarecer a diferença: bebidas com açúcar favorecem a formação da cárie. Bebidas ácidas com açúcar aumentam o risco de cáries e erosão dentária. E mesmo as bebidas sem açúcar, mas com pH baixo (ácidas), causam erosão também. E, nesse caso, o uso regular do flúor, presente na água tratada, enxaguantes bucais e pastas de dentes, pouco ajuda.

A erosão dental ocorre pela presença regular de substâncias ácidas em pH inferior ao pH em que o flúor consegue ativar o processo de remineralização. Ou seja: o impacto do consumo excessivo de bebidas ácidas não é amenizado pelo flúor como acontece com o açúcar.

O processo da erosão dentária

A erosão dentária acontece quando o esmalte dentário, ou revestimento dental, é desgastado em um processo químico. As substâncias ácidas ou sequestrantes destroem a camada que envolve o dente e protege a dentina. É um processo de desmineralização dos dentes, que resulta na exposição da dentina.

O processo da erosão envolve a perda da estrutura dentária. Entre efeitos dessa erosão estão:

  • descoloração: dentes com aparência amarelada pela exposição da dentina;
  • sensibilidade dentinária: dor no contato com ar e alimentos quentes e frios, além do impacto da mordida;
  • transparência: dentes frontais com aparência transparente na ponta, provocada pelo desgaste;
  • fissuras e rachaduras: com o desgaste, os dentes ficam frágeis e sujeitos a rachaduras e pequenas fissuras.

Como prevenir a erosão dental?

A erosão dental possui característica multifatorial, ou seja, não existe apenas um causador do problema. Entre os fatores que favorecem a erosão estão alterações biológicas individuais. Alguns exemplos são a bulimia, gastrite, úlceras e refluxos gástricos. Esses problemas têm, entre outras consequências, a produção excessiva de ácido clorídrico, que favorece a erosão do esmalte do dente.

Mas, de modo geral, o comportamento e estilo de vida têm impacto importante na questão da erosão. E, nesse caso, há como evitar o problema. Como medidas de prevenção, a primeira recomendação é a de sempre: evitar excessos. Algumas dicas importantes:

  • evite o consumo excessivo de bebidas industrializadas. Troque os sucos de “caixinha” por sucos naturais e integrais;
  • beba mais água;
  • reduza o consumo de refrigerantes (mesmo sem açúcar);
  • faça uso moderado de isotônicos e energéticos;
  • diminua o consumo de alimentos processados, com excesso de conservantes e antioxidantes.

Além disso, os cuidados com a higiene bucal são aliados da prevenção de erosão dentária. Após o consumo de alimentos ou bebidas muito ácidos, é recomendável fazer vários bochechos com água pura para neutralizar a acidez bucal. Apenas depois de uma hora é indicada a escovação com creme dental. Com isso, há menos risco de desgaste do dente pela ação da escova logo após a ingestão ácida, que fragiliza o esmalte.

Na escovação, a opção por cremes dentais para dentes sensíveis também ajuda. E é bom evitar as pastas que se dizem “branqueadoras”, que são muito abrasivas. A escolha da escova faz diferença: opte sempre pelas que têm cerdas macias. Na escovação, faça movimentos firmes, mas suaves, sem exagerar na pressão.

Erosão ácida tem tratamento?

A erosão dentária é um processo irreversível. Mas isso não significa que não exista tratamento. Pelo contrário: quando mais cedo o problema for identificado, melhor o resultado do tratamento para conter o avanço da erosão e amenizar os efeitos do processo.

Com o diagnóstico da erosão dentária, é possível conter a evolução do problema com diferentes estratégias, incluindo selantes, resinas e aplicação de verniz fluoretado. Em casos mais complexos, podem ser necessárias coroas ou restaurações. O importante é manter a rotina de acompanhamento no consultório do dentista e seguir à risca as orientações de prevenção.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *